"A poesia é também uma forma de filosofar, de tentar compreender o movimento da vida, dar-lhe algum sentido, traduzir-lhe para os outros seres, usando mais o sentimento do que a razão. Os ingredientes dessa arte de profundidade filosófica provêm das experimentações das situações que a própria vida fornece, tantas vezes, independente de nossas escolhas. E a tradução é sempre acompanhada de beleza, de leveza, porque não se prende a nenhum proprietário. A poesia se doa a todo aquele que se reconhece e se apropria daquilo que percebe nos seus versos. Está sempre em estado de transformação, sempre interagindo, sempre sendo traduzida segundo a emoção e o conteúdo interno daquele que lê, no momento em que lê. A poesia está sempre viva!"

Sônia Arruda

setembro 04, 2011

Gostosuras ou Travessuras?


















por Sônia Arruda


Gosto de seguir a gota d’água
Que, na vidraça, lânguida corre
Gosto do cheiro de terra molhada
Que, após a chuva, do solo sobe


Gosto de fazer desenho em nuvem
De rabiscar em brancos guardanapos
Furar muitos bolos com recheios
Sentir o doce nos dedos melados


Ah! De acordar no meio da noite
E, mais um pouco, poder dormir
Fazendo o tempo se espreguiçar
Até a energia da manhã emergir


E gosto, enfim, de ter do que gostar
E de sentir prazer nas gostosuras
Eu, sempre pronta pra experimentar
Os sabores das minhas travessuras

Um comentário:

Barthes disse...

Estou extasiado com os seus textos.