"A poesia é também uma forma de filosofar, de tentar compreender o movimento da vida, dar-lhe algum sentido, traduzir-lhe para os outros seres, usando mais o sentimento do que a razão. Os ingredientes dessa arte de profundidade filosófica provêm das experimentações das situações que a própria vida fornece, tantas vezes, independente de nossas escolhas. E a tradução é sempre acompanhada de beleza, de leveza, porque não se prende a nenhum proprietário. A poesia se doa a todo aquele que se reconhece e se apropria daquilo que percebe nos seus versos. Está sempre em estado de transformação, sempre interagindo, sempre sendo traduzida segundo a emoção e o conteúdo interno daquele que lê, no momento em que lê. A poesia está sempre viva!"

Sônia Arruda

dezembro 08, 2010

Em algum lugar










por Sônia Arruda


Entre o ser e o não ser
Há um abismo imenso
Passa um rio sereno
Voam pássaros ligeiros
E repousa a minha escolha
Momentânea de estar


O abismo é feito de medo
O rio não se importa
Onde vai, no fim, dar
As aves têm certa pressa
De chegar ao ninho
Onde as asas descansarão


E no meio disso tudo
Repousando, a minha escolha
Observa, interessada aluna
E tenta, ao menos, imaginar
O tamanho do abismo e
Se o destino do rio é o mar


Mas ela simplesmente sabe
Que existe em algum lugar
Um ninho aconchegante
Que espera para aparar
Tantas asas corajosas
Que se arriscaram a voar



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