"A poesia é também uma forma de filosofar, de tentar compreender o movimento da vida, dar-lhe algum sentido, traduzir-lhe para os outros seres, usando mais o sentimento do que a razão. Os ingredientes dessa arte de profundidade filosófica provêm das experimentações das situações que a própria vida fornece, tantas vezes, independente de nossas escolhas. E a tradução é sempre acompanhada de beleza, de leveza, porque não se prende a nenhum proprietário. A poesia se doa a todo aquele que se reconhece e se apropria daquilo que percebe nos seus versos. Está sempre em estado de transformação, sempre interagindo, sempre sendo traduzida segundo a emoção e o conteúdo interno daquele que lê, no momento em que lê. A poesia está sempre viva!"

Sônia Arruda

setembro 18, 2011

Da face nossa que não sabemos

por Sônia Arruda

O homem não pode se ver
Nem olhar no seu próprio olho
Sem contar com o reflexo
E, mesmo quando se vê
Não se reconhece do lado certo

Mistério da ótica, capricho da física
Milagre incompleto, meio feito?
Mas que a gente se faz apegada
E usa todos os dias, que jeito?
Pra preparar a face que é mostrada

Mas nem dessa face controle tem
Pois que não sabe o que se vê
No olhar alheio que lhe é dirigido

O outro que olha não vê, também
O rosto verdadeiro que ele crê
Ter, com muito esmero, construido

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