"A poesia é também uma forma de filosofar, de tentar compreender o movimento da vida, dar-lhe algum sentido, traduzir-lhe para os outros seres, usando mais o sentimento do que a razão. Os ingredientes dessa arte de profundidade filosófica provêm das experimentações das situações que a própria vida fornece, tantas vezes, independente de nossas escolhas. E a tradução é sempre acompanhada de beleza, de leveza, porque não se prende a nenhum proprietário. A poesia se doa a todo aquele que se reconhece e se apropria daquilo que percebe nos seus versos. Está sempre em estado de transformação, sempre interagindo, sempre sendo traduzida segundo a emoção e o conteúdo interno daquele que lê, no momento em que lê. A poesia está sempre viva!"

Sônia Arruda

março 05, 2011

Eu não sabia













por Sônia Arruda


Eu não sabia do amor que em mim dormia
Nem que o silêncio emprestava sentido mudo
Pra lembrar que a ausência pode ser mais viva
Que a mais vívida lembrança de tudo


Eu não sabia que as sombras da noite
Desbotam as vestes e revelam a cor
Dos desejos que seguem aprisionados
Embrulhados em manta de falso pudor


Eu não sabia que o tempo dependia
Das fases da lua e das marés internas
E que meu tempo, jamais, o mesmo, seria


Que a flor só se abria, encantada
Pra servir de presente ao olhar amado
Nem isso eu sabia. Não sabia nada!


O que fazer com tudo o que sei agora?

3 comentários:

CASSIA disse...

Prazer imenso conhecer seu blog. Já me tornei sua seguidora e aqui sempre estarei garimpando palavras deitadas com emoção. Poeta, eu também de nada sabia e quando comecei a aprender, já não sei o que fazer com o que sei. Lindo demais querida. Beijos no seu coração.

OUTONO disse...

E eu não sabia deste "poema"...LINDO!
Beijo

Efigênia Coutinho disse...

Sônia Arruda

Aqui estou para admirar seu belo Soneto, meus cumprimentos,
Efigenia Coutinho